sábado, 28 de março de 2015

Património Imaterial Português tem sido muito maltratado



Porque não há um programa televisivo temático sobre  tradições os usos e costumes ancestrais  ??????????? 
Há uma certa ilusão que vem do Estado Novo, muito pela divisão regionalista, de que há características que diferem de uma aldeia para a outra. Recordo que as pessoas sempre tiveram migrações de trabalho na época do Fascismo e levavam as músicas de um lado para o outro. Mas é verdade que há registos que, sabemos, são característicos de determinadas regiões: sabemos que temos gaitas galegas no Minho, gaitas mirandesas em Trás-os-Montes, os adufes na Beira Baixa, as violas de campaniças no Alentejo e amarantinas no Alto Douro, as braguesas no Minho, as violas da terra nos Açores ou as violas de arame na Madeira. Contudo, a riqueza é imensa porque o país também tem esta grande multiculturalidade e tão rico nestas tradições.


É importante que as pessoas e fundamental que não se esqueçam da tradição, do património imaterial e de todas as memórias relacionadas com a tradição oral portuguesa. Começo por dizer que, por exemplo, quando vamos ver o «Povo que Canta», de Michel Giacometti, filmado nos anos de 1970, vemos pessoas novas a cantar, mas hoje ainda há uma certa camada da população que tem  a noção que só os velhos que é cantam esses cantares   e que ainda mantém  estas tradições, mas não é  verdade porque podemos comprovar que cada vez mais os jovens estão  presentes quer em grupos ou em ranchos de folclore e é ai como toda a gente sabe que esses grupos são os fiéis representantes desses tempos ancestrais.


Se o património material está a cair, o imaterial está pior ainda, tem sido muito maltratado. Portugal não tem auto-estima e não é só na música. A música portuguesa não gosta dela própria, tal como a cultura não gosta dela própria, certas pessoas não vêem essas riquezas. Continuamos sem um programa de televisão, por exemplo, que fale sobre as nossas tradições e as memórias musicais. Isto, de certa forma, tem a ver com um certo preconceito rural que ainda existe em Portugal. As pessoas acham que tudo o que vem do mundo rural é sinónimo de ultrapassado. E isso é triste. É fundamental mostrar estas riquezas porque um dia vão morrer sem a maioria da população as conhecer. Já basta a crise económica, não podemos alimentar mais uma crise identidária que, como sabemos, não é de agora. As pessoas acham que tudo o que vem do mundo rural é sinónimo de ultrapassado. E isso é triste. É fundamental mostrar estas riquezas porque um dia vão morrer e os vindouros não as vão conhecer.

2 comentários:

Origens Do Minho disse...

É triste a escassa informação que existe acerca dos usos e costumes de um povo, a não ser pelo folclore. Na atualidade poucos são os programas a nível informativo que existem, quer a nível televisivo, como conferências e etc, ou se existem nem sempre é feito uma boa projeção.
Mas mesmo assim o folclore mantem-se e isso sim, é de valor.

Lino Mendes disse...


As fronteiras das áreas culturais não coincidem com as fronteiras administrativas e políticas.Logo não se pode falar,por exemplo,em identidade do Minho ou do Alentejo,dado que cada um destes espaços territoriais não tem uma mas várias identidades.
Acontece ainda que uma área cultural pode distribuir-se por mais do que uma comunidade.Mas este é um tema que merece mais desenvolvimento.

LinoMendes