quarta-feira, 6 de maio de 2015

A Ausência de um Ambiente Propício a um Excelente Espectáculo de Folclore !



É consensual que a existência de muitas horas entre a chegada dos grupos ao local do espectáculo ou ao sítio pré-definido pelo grupo anfitrião e o espectáculo propriamente dito, é extremamente doloroso para os componentes dos grupos convidados e já não estou a referir-me à barbaridade de obrigarem as pessoas a andarem trajadas uma série de horas seguidas, numa época onde o calor se faz sentir intensamente. São importantíssimas as infra-estruturas de apoio como os palcos/tabuados, equipamentos de som e as condições de acondicionamento e conforto do público. Mas meus amigos, é de uma importância extrema o espaço físico onde se realiza o espectáculo. 

Desculpem-me a ousadia, mas não faz qualquer sentido montar um palco no meio de um pavilhão, campo de futebol e/ou outros espaços de grande dimensão, e colocar o público a 30/40/50 e às vezes mais metros de distância do objecto da sua presença no local. Podemos até ter ali um fantástico tabuado e condições de som fantásticas, uma recepção e jantar extraordinários aos grupos participantes, mas se não criar um ambiente para que o evento seja sublime, pufff! Tudo o resto não serviu de nada. Tem que existir uma empatia entre o público e o artista, uma ligação só possível pelo contacto de proximidade. O público gosta de vibrar com aquilo que vê e sente, os artistas sentem-se compensados com o afecto e carinho advindo do reconhecimento pelo seu desempenho, portanto...


Não aceito que se diga que nem todos têm as mesmas condições para fazer isto ou aquilo, neste caso não, porque é nas coisas mais simples que encontramos o maior encanto. Às vezes não é necessário muito dinheiro para elaborar um espaço para um festival de folclore, que pode muito bem decorrer por ex. numa qualquer rua de uma das nossas típicas aldeias, naquele larguito de casas caiadas a cal, de chão empedrado... Numa eira comunitária onde se malhavam os cereais... Num... Na... !!! Haja imaginação e deixemo-nos de formatos fora de moda, coisas sem sentido, para bem do folclore. O movimento que nos une é de FOLCLORE e não de Faclore ou Foclor.

Não me estou a referir como é óbvio a nenhum evento em particular, pois é do vosso conhecimento que aquilo que mencionei é o pão nosso de cada dia no folclore.


       Artigo de opinião de ; Custódio Rodrigues

2 comentários:

Florbela Arranhado disse...

É com orgulho que verifico que a foto que faz referência ao bom exemplo é a do Festival de Folclore do grupo a que pertenço há já uma década. É uma forma de reconhecimento do nosso trabalho e dedicação e do nosso amor pela tradição.

Lino Mendes disse...


Só quero referir,em minha opinião,claro, que cada vez é menos possível fazer uma pesquisa com a devida profundidade,que é a que é feita ouvindo as pessoas que foram personagens das respectivas vivências. Ouvir,comparar,estudar as situações.
Há sempre que pesquisar,pois mais vale pouco do que nada;E há tanta coisa que devia ser falada,debatida...
8/6/2016
LINO MENDES