segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Louváveis Iniciativas



O Grupo Folclórico da Casa do Povo de Serzedelo Guimarães tem levado a efeito nos últimos anos iniciativas de louvar e por isso achamos que não devíamos ficar indiferentes a isso e achamos que é um dever nosso as divulgar, nós que divulgamos os usos e costumes e tradições dos nossos antepassados neste espaço.

Eis a s iniciativas;


 1º Participação na Capital Europeia da Cultura no evento “Tempo de Criar” cujo evento retractava sons, gritos e palavras de trabalho, trajes, cantorias e danças dos nossos antepassados e retractou em confronto com um grupo popular “ Os Macadame” e ainda com a participação dos “Fura Dell Baus”espectáculo inolvidável presenciado mos dezenas de milhares de pessoas que se deliciaram com este grande espectáculo. 

2ºParticipação no desfile do trajo promovido pela Federação de Folclore Português em Guimarães também no âmbito da Capital Europeia da Cultura..

3º Participação e apoio na recreação de malhada de centeio nas instalações da Estação de Tratamentos de lixo e Resíduos Sólidos em Riba D, Ave. 

3º Realização de uma Feira Rural de produtos da terra no dia do seu festival internacional assim como exposição de pássaros e de cães de caça e galgos e ainda como venda de outros animais domésticos e produtos artesanais confeccionados pelas educadoras de infância e crianças do jardim-de-infância também uma valência da Casa do Povo.

4º A organização de uma festa de S. João no adro da Igreja.

5º A recreação através de uma peça de teatro representativo de umas reisadas numa casa rural nos tempos passados.

 6º A criação de uma escola de folclore em que participam umas dezenas crianças.


Por tudo isto “ ETNOGRAFIA E FOLCLORE” acha que é digno de se louvar e divulgar estas iniciativas, pois como fomos sempre apologistas de por os jovens a trabalhar nesse campo e como eles são uma direcção ainda muito jovem mas com vontade de divulgar os usos e costumes e tradições dos nossos antepassados.
Assim desta forma e  aqui lhe prestamos a nossa homenagem bem hajam.

     A Administração do blogue.

sábado, 25 de janeiro de 2014

O trabalho……A vaidade…….E a não destruição do legado na Etnografia



Toda a natureza tem um período de invernação e os humanos também o têm, pensa-se que esse período dos humanos é no inverno quando se recolhem mais tempo no seu aconchego do seu lar para fugir ao frio, ai o humano tem mais tempo de fazer uma análise de toda a sua vida quer pessoal quer profissional quer das suas várias actividades de lazer e é lógico uns gostar de umas coisas outros de outras no caso que se aborda aqui é para quem gosta de etnografia e folclore.

  Na vertente etnofolclórica temos assistido a dirigentes de grupos e ranchos folclóricos que se batem por uma melhor qualidade de representação do seu grupo ou rancho folclórico e que nunca chegam a alcançar o topo máximo porque isso é impossível eles sabem disso, mas têem sempre a vontade e a coragem de tentar melhorar, mas por outro lado temos assistido a outros dirigentes que cuja ambição é obter o certificado como membros efectivos da Federação de Folclore Português e logo se esquecem de continuar a tentar mais perfeição nas suas representações como esse titulo fosse o garante de toda uma boa representação e resolve-se todos os problemas que possam aparecer e ainda por cima nota-se que se arrogam com certa vaidade e arrogância como membros efectivos, perante grupos e ranchos não federados com alguma qualidade e boa representação, empurrando-os para mais longe do movimento folclórico português com essa arrogância, acha-se que essa mentalidade tem de acabar, porque a perfeição não se alcança com um simples titulo e por outro lado precisa-se trazer para o movimento folclórico português representado na Federação de Folclore Português todos esses grupos de média qualidade representativa e para que esse movimento consiga ganhar o peso que tem direito na cultura portuguesa perante todas as tutelas governativas; governos, câmaras municipais etc.

 Tal como em todas as várias actividades da sociedade portuguesa há gente boa com vontade de trabalhar para ir mais além, mas sabemos por outro lado que também há gente que nunca teve capacidade para fazer algo pelo próximo e que sente inveja pelos que fazem e na hora das decisões não apresentam alternativas e disparam em todas as direcções como se fossem cães raivosos, com criticas injustas apenas para destruir o que os outros fazem, não procurando melhorar com alternativas credíveis.

 Aqui com este artigo de opinião não se pretende destruir mas apenas se quer dar um contributo para que possamos chegar ao fim das nossas vidas com a missão cumprida, que é o passar de testemunho aos nossos vindouros eles dizerem com orgulho; “GRANDE LEGADO QUE OS NOSSOS ANTEPASSADOS NOS DEIXARAM”. 

domingo, 12 de janeiro de 2014

As críticas que apontam a quem dirige o Movimento Folclórico serão justas ou injustas?

Ultimamente tem- se visto por todo o lado, quer nos meios de comunicação social da especialidade quer as novas tecnologias quer em conversas com amigos criticar a Federação de Folclore Português mais os seus CRTs, isso está-se a tornar uma coisa banal e da moda para aqueles que não se querem dar ao trabalho de fazer uma recolha ou uma pesquisa e não querem reconhecer que estão errados, mas essas criticas merecem uma reflexão, serão justas ou injustas ou justas?

Acha-se que algumas menos graves até podem ser justas mas a maioria são injustas, senão vejamos;

Agora está na moda desculpar-se dos erros que se cometem e tenta-se arranjar desculpas e bodes expiatórios e aponta-se logo o dedo á federação e aos Crts como se fossem eles os responsáveis desses erros, (isso faz nos lembrar uma criancinha quando a mãe a chamava á atenção e logo ela vem dizer á mãe “o meu irmão também esta a fazer o mesmo você não lhe diz nada mãe” ) como se isso os desculpassem.

  Ainda há dias um presidente de um rancho folclórico dizia, que não se deu ao trabalho de fazer uma recolha nem pesquisa dos usos e costumes e tradições da sua terra e viu um rancho folclórico doutro conselho, achou bonito tudo o que eles tinham e faziam e copiou tudo e transportou para o seu rancho e que depois o tentou federar. 
Não sei se foi verdade mas ele o dizia que a federação e o CRT da região o  “recusou” achava ele que a federação com este procedimento estava a por fronteiras na cultura, e o porque de não poder ser federado?  Se a terra do outro rancho era quase pegada á do seu rancho embora doutro conselho, aqui está mais uma critica injusta eu pergunto.

1º- Esse presidente procurou saber se esse rancho em que copiou estava representar dignamente os seus antepassados? 

2º- Senão procurou saber ele estava a cometer não um erro mas dois.


 Ele que como dizia, que nem se quer fez uma recolha ou uma pesquiza na sua terra para saber como eram os usos e costumes e tradições da sua terra, procurou a coisa mais fácil e que não dava trabalho e como ele muitos outros dirigentes de ranchos e grupos folclóricos e depois como vêem que o seu trabalho não tem seguimento disparam criticas par a todos lado mas as primeira são sempre dirigidas aos dirigentes da federação e aos CRTs .

A etnografia e folclore é um manancial muito longo e de muito estudo mas se nós quiser temos muitas ferramentas para pesquisar, mas as recolhas são as mais importantes e como dizia um historiador “quando se procura fazer uma recolha não podemos só nos focar numa moda ou numa musica mas em todas as diversidades” porque a fonte com certeza que terá coisas mais importantes a transmitir-nos se nós não formos focados em determinada coisa, e mais nunca devemos dar por completo essas recolha, porque temos de as certificar com outras pessoas porque a fonte até nem podia na altura viver ou residir nessa localidade. Por isso se diz que a maioria das críticas serão injustas e temos de pensar antes de as fazer se de facto temos razão ou não de as fazer.    



quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Festivais de Folclore: É urgente repensar o modelo de organização!




Não existe grupo ou rancho folclórico que não organize, pelo menos uma vez ao longo do ano, um espectáculo geralmente a comemorar o aniversário da sua fundação e a que em regra identificam como sendo um “festival de folclore”. Desse modo, realizam-se um pouco por todo o país várias centenas, ascendendo porventura a mais de um milhar a quantidade de festivais de folclore, ainda que a esmagadora maioria não conte com a participação de mais dois ou três grupos além do anfitrião e, nem sempre representativos do folclore e etnografia.

Na realidade, os ditos festivais de folclore não são mais do que espectáculos de dança folclórica, nos quais, todos os grupos procuram invariavelmente mostrar as danças da sua região de proveniência, resumindo a tais exibições o riquíssimo património etnográfico do povo português. Em regra, os organizadores dos ditos festivais excluem da sua programação cante alentejano, colocando de parte a representação do Alentejo. Por seu turno, dada a sua especificidade, os grupos corais alentejanos tendem a promover encontros onde apenas a sua tradição marca presença, esquecendo-se de que a diversidade constitui uma das características do folclore.

As entidades organizadoras dos referidos festivais revelam pouca criatividade na organização dos seus espectáculos, limitando-se, na maioria dos casos, a reproduzir aquilo a que assistiram algures noutra localidade, da mesma forma que, em vez de se esforçarem por documentarem a sua própria representação, os seus trajes e o reportório, preferem frequentemente copiar sem critério aquilo que outros grupos fazem, apenas porque se tornaram famosos por algum motivo, sem se preocuparem de que o que imitam está realmente correto.

Apelar de festival de folclore um espectáculo de dança com a actuação de dois ou três grupos, deixando permanentemente de parte a representação de várias regiões do país e de certas comunidades, é, no mínimo, pretensioso. Com vista à valorização do folclore e da sua própria organização, tais entidades devem repensar os modelos a seguir, enriquecendo a sua programação e, eventualmente, fazendo-a coincidir com o calendário agrícola. Nas áreas urbanas, deve ter-se em consideração a constituição demográfica das localidades de modo a conquistar público para assistir ao espectáculo. E, sobretudo, importa acabar com a barreira artificial que, nos espectáculos de folclore, separa os grupos de dança dos corais alentejanos.

O folclore dispõe de matéria-prima suficiente para se produzir um espectáculo de grande qualidade, capaz de interessar largos sectores do público. Mau grado as tentativas de o tornar mais atraente com a introdução de pequenos quadros teatrais, o actual figurino está demasiado visto e ultrapassado, não se revelando capaz de atrair mais público para além daquele que o segue com espírito missionário.

Carlos Gomes (Jornalista, Licenciado em História)          

domingo, 27 de outubro de 2013

A Personagem "Contratadeira" na Etnografia e Folclore



Confesso que somente tomei conhecimento do vocábulo “contratadeira” associado ao folclore, há menos de três anos. A personagem foi-me apresentada por entusiastas dessa criatura folclórica. No universo folclorizado “ contratadeiras” ou “ contratador” (desconheço se existe essas personagem de facto ou se será somente o esposo) será a mulher que, vestida a preceito para tal função numa feira estabelece um contrato de compra e/ ou venda de gado, resumidamente.
     O trajo da “contratadeira” é o trajo da “lavradeira” ou da “ribeira” dependendo da região etnogeográfica baixo-minho acrescido de um chapéu, quase sempre castanho, de aba larga ou copa baixa. Para alguns folcloristas formatados, aqueles que insistem na divisão concelhia do Folclore o trajo de “contratadeira” é o trajo característico de Vila Nova de Famalicão. Retunda mentira. Além de Famalicão pode encontra-se nos grupos/ranchos dos concelhos de Barcelos, Esposende, Povoa de Varzim e Vila do Conde, isto é, nos grupos residentes no baixo Ave, no vale formado pelo rio Ave e pelo afluente rio Este (a titulo de curiosidade, este vale é uma das maiores regiões da Europa de concentração de gado vacum produtora de leite).
       Parece-me pouco credível que alguém, da época, se trajasse de modo excepcional para levar ou trazer um par de bois da feira a troco de alguns réis ou artigos agrícolas. A riqueza do material usado na confecção deste chapéu indica-nos tratar-se de um adereço fora do alcance das mulheres do campo, porque eram pobres, talvez mais em uso em algumas senhoras rurais.
     Quiçá, acessório copiado, porque pitoresco, para cortejos e paradas agrícolas, em parceria com os chapéus de palha exageradamente decorados que para esses eventos se preparavam. De seguida, a replicação pelo menos uma “contratadeira “ou parelha de “contratadores” nos grupos/ranchos folclóricos da área etnogeográfica referida. E, nos dias de hoje, mal do grupo/rancho baixo-minhoto dos concelhos citados que não inclua tal personagem na sua montra, a certeza da crítica certa por tal atrevimento ou rótulo de grupo pobre e indigno.
   Necessário e importante relembrar o estatuto da mulher para a época. Intramuros, a mulher era o elemento mais forte da família, pertencia-lhe o governo da casa assim como a educação das crianças. Fora de portas o universo era todo ele masculino. Logo, do ponto de vista sociológico, muito pouco provável e existência de uma tal personagem no feminino com a importância que lhe pretendiam atribuir. Sozinhas ou acompanhadas por outras mulheres ou crianças iam ao mercado vender ou comprar coisas da casa, produtos da horta, pequenas alfaias, outras necessidades. A venda ou troca de gado era uma actividade no masculino, a mulher seria um elemento estranho e não aceite neste negócio de barba rija e manha certa. A viúva ou senhora solteira socorriam-se de um feitor, caseiro, familiar ou conhecido de confiança para elaborar contratos de troca ou venda de gado. Até o moço e muito excepcionalmente a moça, puxador de bois, numa ida à feira, o fazia já num processo de aprendizagem, de preparação para quando chegasse a sua vez de puxar a soga da vida.
     
“Contratadeira”, a personagem e o seu traje, vale o que vale. No universo do Folclore pouco ou nada valerá. No mundo folclórico, garrido e pitoresco que prolifera no movimento, < sua função plástica está por demais sobrevalorizada, bem acompanhada e ao nível de outras personagens, com os seus trajos mais ou menos imaginosos, como por exemplo, o da leiteira, da sardinheira, da sachadeira, da olhadeira de gado, da lavradeira, da vindimadeira, da paridieira, da parteira, da namoradeira, da coscuvilheira, de pranteadeira, da viúva alegre, e por ai fora. E já agora, a “noiva “e o seu trajo.

  NOTA :(Este artigo de opinião foi publicado no “Jornal Folclore” n.º 209 de Julho 2013 e que desde já peço as minhas desculpas ao seu autor senhor Carlos Rego e ao senhor director do “Jornal Folclore” pela ousadia de o publicar neste blogue sem a sua devida autorização.)