sábado, 15 de agosto de 2015

Conceitos e Fundamentos



(Nota ;Este  titulo e  as fotos  não são do autor)


Autor ; Custódio Rodrigues


Afinal muita coisa há ainda a fazer no movimento folclórico em Portugal, a julgar pelas recentes escaramuças protagonizadas por alguns defensores do folclore-pimba e outros indivíduos mais esclarecidos que não se revêem de jeito algum na pouca-vergonha que continua a colocar o país no rol do anedotário europeu em termos da cultura popular tradicional, vertente onde aliás somos muito fortes devido ao vasto espólio que ainda conservamos, fruto de um largo período de estagnação tecnológica, industrial, social e cultural em relação aos restantes parceiros europeus, por culpa da política fascista do Estado Novo.


Quando por diversas vezes tive que soletrar o B, A, Ba do Folclore, aflorar temas primários onde assentam as bases de trabalho para a pesquisa e preservação das nossas tradições ancestrais, houve por aqui distintas figuras que ficaram muito melindradas pela repetição contínua de temas já ultrapassados, diziam. Afinal toda essa retórica foi/é notoriamente insuficiente ou as mensagens não conseguem passar, para elucidar convenientemente os agentes que proliferam e demandam no movimento folclórico do nosso país. Vide as declarações avulsas e gratuitas da parte de gente sem formação e educação, quando alguém ousa criticar a miséria que alguns (muitos, muitíssimos) grupos/ranchos transportam e apresentam. É triste e dói ser maltratado por gente ignorante e sem princípios que arriscaria a dizer, transformam meros grupos de aeróbica em seitas do culto de histerismo do “Falklor”. Epá, as pessoas não sabem e não querem saber e ainda por cima são intratáveis, fazem da provocação e do insulto a sua arma de arremesso para combater quem lhe tenta incutir uma visão mais consentânea com a verdade das suas tradições. «Chiça… Cum Caraças…» que me fazem tirar do sério. Alturas há que quase perco as estribeiras e até agradeço não estar nesses momentos cara a cara com alguns desses «mens», não sei se não desceria ao seu nível (baixo) e resolveria alguns assuntos de acordo com a única lei que conhecem! Sinceramente!!!

A tarefa de pacificar e levar a água a bom porto com generalidade dos grupos não-alinhados (não filiados na FFP) é hercúlea. Torna-se muito complicado mudar quem não quer mudar uma virgula sequer ao seu registo, mesmo que lhe provem por A mais B que aquilo que fazem está errado. Eu, sinceramente não me acho mais esperto nem inteligente que ninguém, mas caramba, se me demonstrarem que estou a agir incorrectamente num qualquer acto, se me elucidarem e provarem que estou enganado, pelo menos vou comprovar e darei o benefício de dúvida a quem me aborda nesse sentido. Há gente mesquinha, mal-educada, estúpida até e não me alongo mais para não descer mais baixo na minha postura integra, educada e honesta.


Se existe uma ciência que estuda o fenómeno das tradições populares em Portugal, se existe um órgão que tutela o movimento organizado no país, se existem técnicos avalizados que informam e orientam quem não sabe e/ou tem dúvidas sobre o trabalho que desenvolve na área da pesquisa, filtragem, preservação e representação dos usos e costumes ancestrais do povo rural em Portugal, se existe informação quanto baste em plataformas especializadas no ciberespaço, se se realizam encontros, colóquios, congressos para discutir toda a problemática do folclore, se é dada a oportunidade a quem quer que seja, individual ou colectivo, de integrar a dita organização que tutela o movimento em Portugal mediante o cumprimento de determinados parâmetros que atestam do seu estado qualitativo, por que insistem em permanecer de olhos vendados e afastar as abordagens de forma violenta? Sejam humildes caramba, se não querem alinhar na onda, afastem-se e dispam-se de tudo o que os pode associar ao folclore.

Sejam eles próprios, assumam a sua independência da cultura popular tradicional, não enganem ninguém incluindo eles próprios. Se não querem ser verdadeiros com os seus antepassados, assumam-no perante o público ignorante mas ávido de cultura. Ou será que, se não se colarem ao FOLCLORE não têm a mínima chance de sobreviver? Deixo no ar esta questão e já agora, qual a solução para toda esta barafunda onde navega o nosso movimento?

 Caros amigos achei este texto de opinião muito interessante e como tal resolvi o publicar neste  Blogue, espero que alguém tire proveito dele.
 

domingo, 14 de junho de 2015

ESTUDE PESQUISE E RECOLHA PRIMEIRO, PARA DEPOIS SABER ENSINAR E EXPLICAR .



A etnografia e o folclore é a ciência das vivências, tradições e usos populares e costumes transmitidos de geração em geração. Todos os povos possuem suas tradições, crendices e superstições, que se transmitem através de lendas, contos, provérbios, cantos, danças, artesanato, jogos, religiosidade, brincadeiras infantis, mitos, idiomas e dialectos característicos, adivinhações, festas e outras actividades culturais que nasceram e se desenvolveram com o povo.


“Todo e qualquer ser humano tem cultura."

Esta é uma das poucas "verdades absolutas “da Antropologia. Apesar desta afirmação parecer óbvia, não é, pois há muita gente ainda que pensa que alguns seres humanos não têm cultura.

A UNESCO declara que folclore é sinónimo de cultura popular e representa a identidade social de uma comunidade através de suas criações culturais, colectivas ou individuais, e é também uma parte essencial da cultura de cada nação.

Deve-se lembrar que o folclore não é um conhecimento cristalizado, embora se enraíze em tradições que podem ter grande antiguidade, mas transforma-se no contacto entre culturas distintas, nas migrações, e através dos meios de comunicação onde se inclui recentemente a internet. Parte do trabalho cultural da UNESCO é orientar as comunidades no sentido de bem administrar sua herança folclórica, sabendo que o progresso e as mudanças que ele provoca podem tanto enriquecer uma cultura como destruí-la para sempre.

Considera-se hoje o folclorismo um ramo das Ciências Sociais e Humanas, e o seu estudo e as pesquisas e recolhas devem ser feitas de acordo com a metodologia própria dessas ciências. Com tudo não existem fórmulas ou sistemas exactos e rígidos para o estudo e a pesquisa ou recolha folclórica. Como tudo na vida, o interesse depende do valor que a pessoa dá a determinada coisa.

 A observação cuidadosa e registro fidedigno são, entretanto, premissas fundamentais para se obter uma consistente pesquisa ou recolha.


Muitas pessoas que estão á frente de um grupo ou rancho, inventam porque não fizeram estudos, recolhas ou pesquisas é mais fácil inventar, depois dizem-se ensaiadores e o que eles impõe no rancho é que vale e é verdadeiro, uma pessoa para saber ensinar e explicar o folclore e a etnografia terá que passar pelo processo que falei neste texto, ( o que não acontece em muitos grupos ou  ranchos ) . Eu também sei que hoje em dia as pessoas não têem tempo (ou não querem ter ) e essas pesquisas e recolhas e estudos, ficam para trás, mas eu peço ,por favor não enganem as pessoas com as suas invenções com as sua ignorância sobre o tema e não se engane a si próprio .


Se realmente quer ensinar (ou ensaiador como se costuma dizer) tente aprender primeiro perca um pouco de tempo nos estudos nas pesquisas e recolhas, fale com quem lhe pode ensinar sobre essa matéria pergunte, comente mesmo que pense que vai fazer asneira, comente, aprenda e um dia vai poder ensinar com mais tranquilidade e sabedoria.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

O Folclore e os Apoios



Quando se diz que o Folclore é o parente pobre da cultura portuguesa, não se está a conjecturar ou a fazer demagogia, é verdade mesmo. Quando se afirma que os agentes do Folclore têm que se socorrer de todos os meios ao seu dispor para sobreviver, incluindo práticas e actividades nada consentâneas com aquela área da cultura popular tradicional, não é nenhuma utopia e não se está a cometer nenhuma falácia, é a mais pura das verdades, estes agentes pagam para manter viva a identidade do seu povo. Às uns tempos atrás estive em Paris e já tinha estado em outros países e ai constatei ao vivo a importância que os grupos de folclore tem nas comunidades de imigrantes portugueses espalhadas pelo mundo.

Os grupos  de folclore são o veiculo de transmissão para que os filhos dos imigrantes nascidos fora do nosso pais não percam os laços que ainda os prendem ao nosso pais, mas é com tristeza que todos os que fazem parte do movimento folclórico constatam com alheamento que a secretaria de estado da cultura tem para com os grupos de folclore, constatamos que os governos através dos organismos próprios não dão qualquer apoio logístico ou monetário, pondo os grupos a pagar a expensas próprias tudo, para poder levar a esses imigrantes os usos e costumes e tradições dos seus antepassados é pena mas é os governantes que temos tido, se calhar não interessa aos nossos governantes manter viva essa identidade, pois um povo sem identidade onde se reveja, será mais fácil de manipular e espartilhar ao sabor dos grandes interesses económicos. 


Mas não nos podemos esquecer aquilo que ouvimos da boca do povo “quem esquece o seu passado não tem futuro” é bem verdade. Os países mais desenvolvidos da Europa descobriram que apesar de criarem as condições ideais de vida aos seus cidadãos, estes não eram totalmente felizes, faltava-lhes algo que abdicaram há muito, em prol desse mesmo desenvolvimento industrial e tecnológico, a sua identidade cultural, enquanto povo, enquanto nação soberana! Faltava-lhes algo que perderam e não é recuperável, as suas raízes. Por isso, quando nos visitam procuram beber a essência do espaço que admiram e tanto prazer lhes oferece. Para além das belezas naturais como a praia e o sol, eles absorvem com sofreguidão a gastronomia regional, o folclore, a naturalidade dos residentes, que ainda e apesar de alguma modernidade instalada, é genuína. Eles adoram o nosso país por isso meus amigos, "isso" não tem preço. Pobre do País em que os seus governantes não dão a atenção devida para as várias vertentes da sua Cultura, onde, o Folclore, a Etnografia e a Etnologia são factores identitários de presença no mundo enquanto nação. 


Por isso se diz o movimento Folclórico/Etnográfico" é o parente pobre da cultura portuguesa”, não fora ainda a consideração de algumas autarquias porque os seus eleitos são maioritariamente locais e tem outra sensibilidade (os que tem) e lá vão distribuindo umas migalhas pelos grupos de folclore com a cedência de transporte gratuito ou a preço reduzido e outros apoios avulsos juntando-lhes a carolice e imaginação dos dirigentes e restantes componentes dos grupos, caso contrário à muito que o movimento estava reduzido a uns quantos sobreviventes, tenho esperança (temos sempre esperança) que as coisas mudem para melhor, mas se assistimos à derrocada de instituições, organizações, valores que suportam uma Nação, o que é que vamos esperar no futuro? Resta-nos a nós que gostamos e defendemos o movimento folclórico arregaçar as mangas e continuar a luta a cada dia da nossa existência.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

A Ausência de um Ambiente Propício a um Excelente Espectáculo de Folclore !



É consensual que a existência de muitas horas entre a chegada dos grupos ao local do espectáculo ou ao sítio pré-definido pelo grupo anfitrião e o espectáculo propriamente dito, é extremamente doloroso para os componentes dos grupos convidados e já não estou a referir-me à barbaridade de obrigarem as pessoas a andarem trajadas uma série de horas seguidas, numa época onde o calor se faz sentir intensamente. São importantíssimas as infra-estruturas de apoio como os palcos/tabuados, equipamentos de som e as condições de acondicionamento e conforto do público. Mas meus amigos, é de uma importância extrema o espaço físico onde se realiza o espectáculo. 

Desculpem-me a ousadia, mas não faz qualquer sentido montar um palco no meio de um pavilhão, campo de futebol e/ou outros espaços de grande dimensão, e colocar o público a 30/40/50 e às vezes mais metros de distância do objecto da sua presença no local. Podemos até ter ali um fantástico tabuado e condições de som fantásticas, uma recepção e jantar extraordinários aos grupos participantes, mas se não criar um ambiente para que o evento seja sublime, pufff! Tudo o resto não serviu de nada. Tem que existir uma empatia entre o público e o artista, uma ligação só possível pelo contacto de proximidade. O público gosta de vibrar com aquilo que vê e sente, os artistas sentem-se compensados com o afecto e carinho advindo do reconhecimento pelo seu desempenho, portanto...


Não aceito que se diga que nem todos têm as mesmas condições para fazer isto ou aquilo, neste caso não, porque é nas coisas mais simples que encontramos o maior encanto. Às vezes não é necessário muito dinheiro para elaborar um espaço para um festival de folclore, que pode muito bem decorrer por ex. numa qualquer rua de uma das nossas típicas aldeias, naquele larguito de casas caiadas a cal, de chão empedrado... Numa eira comunitária onde se malhavam os cereais... Num... Na... !!! Haja imaginação e deixemo-nos de formatos fora de moda, coisas sem sentido, para bem do folclore. O movimento que nos une é de FOLCLORE e não de Faclore ou Foclor.

Não me estou a referir como é óbvio a nenhum evento em particular, pois é do vosso conhecimento que aquilo que mencionei é o pão nosso de cada dia no folclore.


       Artigo de opinião de ; Custódio Rodrigues

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Redescobrir as Nossas Raízes



Somos um povo que ainda resiste as raízes de vidas não pereceram, canções e os relatos mantém-se vivos no século XXI dando continuidade ao legado deixado pelo etnomusicólogo Michel Giacometti e muitos outros, nos anos de 1970. Histórias de vida e canções que resistiram à modernidade, traços que caminham de um outro tempo, sobreviventes nas memórias dos artesãos, das ceifeiras, dos cavadores. Chegam-nos como cantigas de semear, de maldizer, de colher, de bailar, de abençoar, de pecar, de agradecer, de protestar, de adormecer. 

Há muito pouco trabalho de recolha e o que existia estava muito cingido às autoridades do Estado Novo que queriam o espartilhar por um lado e, por outro condicionar a visão que tínhamos da nossa cultura popular, realça Michel Giacometti acrescentando que “tinha noção que um povo consciente da sua existência detinha uma força que o Estado Novo não sabia controlar”. A figura e o trabalho, são realçados em várias obras de Michel Giacometti que são uma espécie de analogia que permite perceber as mudanças registadas 45 anos depois.Ele Michel Giacometti  reúne, recolhas musicais, que não estão agarradas a contextos geográficos ou catalogados científica e etnograficamente.Giacometti encontrou os tesouros completamente por desbravar. Não fez este trabalho sob o ponto de vista científico mas sim inspirado. Baseava-se na cientificidade de etnomusicólogo que chocava muito com as regras científicas utilizadas naquela altura. Estas estiveram vigentes durante muito tempo, um tipo de trabalho muito menos próximo das comunidades e das populações, houve alguém que disse que a proximidade dele ao povo fez-lhe descobrir tesouros que os teóricos não descobriram. “Os que não sujaram as botas na lama das estradas não descobriram”. Por isso as pessoas continuam a cantar e a ter algumas actividades culturais e em comunidade que lhes são úteis para o desenrolar do seu dia-a-dia.
Realçar o facto de as pessoas ainda terem necessidade, mesmo, de se reunir à volta do trabalho para se sentirem realizadas.
E ainda há lugares onde a reunião no final do trabalho faz sentido e, por isso, estão vivas, o discurso de que o progresso matou a tradição não é verdadeiro.